(Se eu não apreciar, entre coisas boas e ruins, a cidade, quem por mim poderia fazer isso?!)
A vida se faz sob o chão de ladrilho colorido. A sensação térmica em dias de calor é insuportável, mas contradiz o que se vê ao olhar para o céu plácido. A tão conhecida mescla de cores de fim de tarde, graças ao veneno atmosférico, é o plano de fundo de versões clássicas, diferentes vertentes do que se conhece como "viver". A sensação térmica em dias de frio bate no concreto e volta três vezes mais fria do que deveria. Uma estrutura que apenas permite aos músculos trepidarem.
Nos "submundos" também há vidas e intenções que se acumulam, de três em três minutos, e que se atrasa com a insistência de seguir abarrotando um receptáculo onde odores e sensações se misturam numa viagem, independente da estação do ano, muito quente.
Na forma menos constrangedora de selecionar, rodam as catracas aqueles que pagam o preço pelo lugar na viagem ao inferno, como recompensa, o paraíso.
Entre uma diversidade de formas de ser conhecida, a cidade se transforma a cada rua, a cada bairro, tendo como maioria, provavelmente, pessoas que trocaram belezas naturais pelo aspécto urbano e cinzento, hora colorido, hora grafado em tinta preta. Um idioma diferente em cada bairro.
O bairrismo insuportável dos alguns locais.
Lugar onde depositam culturas provenientes de lugares distantes, criou sua própria cultura, independente de tudo que trouxeram, se fazendo completa e suficiente, para qualquer representação social e ideológica, a partir da conclusão da semântica cultural.
Onde não há mais espaço para gerar os rebentos originais, mas, ainda assim, brotam seres do solo em concreto.
Onde, entre tijolos, pode-se apreciar fragmentos de céu, entre uma brecha de nuvem, se der tempo. Onde os faróis para pedestres fecham muito rápido, o que ocasiona a tão insistente e involuntária pressa em passos largos, em menores quantidades por metro quadrado, mesmo em calçadas compridas, muito longe de chegar no próximo farol.
O berço do futebol brasileiro.
O constraste de classes visto em qualquer esquina. Semelhantes em busca de sensações diferentes, podendo encontrar todas elas no mesmo lugar. Detalhes do que era arte em forma de arquitetura de outros séculos, conservados no olhar de quem aprecia, mas identifica com o subconsciente.
Lugar onde pode trazer o prazer de viver bem, por cinco minutos, morrer sem sofrimento.
Onde pode fazer o mais íntimo um ignorante de sua diversidade.
Não sei se São Paulo pode atender por uma alcunha relacionada ao samba. Dizem para ilustrar a pouca identificação com uma vertente da música brasileira, ou, para os mais necessitados de dar explicações, uma espécie contracultura. Quando alguns que aqui viviam, marginalizavam o samba. Mas não é preciso ter intimidade com samba algum, quando se é, simplesmente, muito mais do que qualquer cidade pode chegar perto de ser, ou muito menos do que qualquer uma, dependendo de quem interrompe a perfeita transição do estado presente para o estado alheio a mística da cidade. A cidade que acolhe a todos, como se fossem provenientes das maternidades paulistanas. Se fosse o contrário, no lugar onde o choque cultural transforma a cidade em um lugar cada vez mais cheio, poluído, doado ao caos e indisciplinado, de fato, estariamos em guerra. Mas o que seria da cidade sem a diversidade cultural?!
Quem precisa de samba, se já se tem de tudo que cabe de forma simétrica, numa harmonia cósmica, como se fosse um quebra cabeça devidamente montado?!
Diferentes e sensações térmicas, tudo num mesmo dia, e diferentes sentimentos em um mesmo espaço de tempo equivalente a um segundo infinito.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
O amor cometido.
Na expectativa da mudança, a euforia saia pelos poros. Se o amor fosse o mesmo sempre, nunca teria a validade limitada. Ou seria apenas alguma coisa a mais para causar conforto na intenção de distração, enquanto o caos se alastra?! Se fosse muito conveniente falar de caos, sairia do desabafo, o que não é muito o caso de coisas que podem ser solucionadas de forma simples, que não requer prática alguma. Como os grandes espetáculos, que vão sempre carregar expectativas, mas, o que cessa antes do desfecho, depois, volta a tal normalidade, enquanto todos retomam suas vidas. O proveito devido a reação de um conector cerebral dissolvido pelo amor atraído via Bluetooth. Não é o amor que remete à vitalidade, mas a mistificação de um sensação agradável. Também não é conveniente contestar os sentimentos, mas é muito mais fácil falar de sensações. O sentimento pode ser, ou é a mistificação da sensação, e o amor é algo que um filho da puta qualquer mistificou, pra justificar o que teve como consequencia o sofrimento quando alguém pára de sentir a tal sensação agradável. Ou não.
Não é, ou não deve ser, conveniente justificar o termino da validade da sensação, mas é sempre culpa do que atende pela alcunha "amor", que se asemelha com uma morte tomporária, totalmente consciente, que tem a consequencia quase devastadora. Que se dane o amor, desde que exista a exaltação seguida de um reflexo orgástico. O amor deve ser consequencia de uma frustração por uma falta de sensibilidade na região do abdomem. A incapacidade de regeneração celular espontânea deve ser culpa do amor. Por isso, o ser humano envelhece.
Se o amor não fosse de tão improvável existência, mas, ao mesmo tempo, agradável de sentir, não sei se teria me divertido tanto, em tantos longos vinte e poucos dias. Simplesmente, longos vinte e poucos dias me superaram. Perdeu a graça da sensação agradável, perdeu a validade. Dramáticos fazem da perda da validade uma desgraça. Eu não me abalo. Não devo ter nascido pra viver em função de uma sensação vencida pelo tempo.
A quem tenho que pedir desculpas por ter perdido a sensibilidade na região do abdomem?! Talvez, a forma mais fácil de acabar com uma discussão antes de passar por insensível é concordando que sim, provavelmente, foi o amor que, por ora, perdeu a validade. Muito conveniente.
Não é, ou não deve ser, conveniente justificar o termino da validade da sensação, mas é sempre culpa do que atende pela alcunha "amor", que se asemelha com uma morte tomporária, totalmente consciente, que tem a consequencia quase devastadora. Que se dane o amor, desde que exista a exaltação seguida de um reflexo orgástico. O amor deve ser consequencia de uma frustração por uma falta de sensibilidade na região do abdomem. A incapacidade de regeneração celular espontânea deve ser culpa do amor. Por isso, o ser humano envelhece.
Se o amor não fosse de tão improvável existência, mas, ao mesmo tempo, agradável de sentir, não sei se teria me divertido tanto, em tantos longos vinte e poucos dias. Simplesmente, longos vinte e poucos dias me superaram. Perdeu a graça da sensação agradável, perdeu a validade. Dramáticos fazem da perda da validade uma desgraça. Eu não me abalo. Não devo ter nascido pra viver em função de uma sensação vencida pelo tempo.
A quem tenho que pedir desculpas por ter perdido a sensibilidade na região do abdomem?! Talvez, a forma mais fácil de acabar com uma discussão antes de passar por insensível é concordando que sim, provavelmente, foi o amor que, por ora, perdeu a validade. Muito conveniente.
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